em algum lugar do mundo, uma ilha namora os ventos...

 

Pés no Chão

 

 

 

 
  Peixe
  Surpresa

 

"Renascer da própria força, própria luz e fé, memória..."

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Praia Grande, janeiro de 2001. Um espaço foi aberto entre as pessoas da praça em frente ao mar. Naquela manhã, as pessoas presentes assitiram a um grupo de meninas de 9 a 12 anos se posicionando no cimento áspero, pintado de vermelho. Das caixas de som, começava a brotar a voz de Elis Regina cantando "Redescobrir" do Gonzaguinha:

Como se fora brincadeira de roda, memória
Jogo do trabalho na dança das mãos, macia
O suor dos corpos na canção da vida, história
O suor da vida no calor de irmãos, magia...

A dança encantou a todos. Terminada a coreografia, as bailarinas percorreram as mesas da praia vendendo os cartões do Projeto Dança-Educação Pés no Chão. Era preciso pedir ajuda. A platéia improvisada se encantou e se emocionou com a arte e a sensibilidade daquelas crianças. Surpreendeu-se, também, com sua determinação e coragem, com sua força de lutar para que seu sonho não acabasse. Seis meses depois, era oficialmente criado o Espaço Cultural Pés no Chão. As portas vermelhas se abriram pela primeira vez para a arte e a cultura, a amizade e o respeito, para um compromisso sério e responsável com o futuro de todos nós.

Esse início de caminhada aconteceu há exatos 3 anos. Enquanto escrevo estas linhas, tomado pela emoção e grato ao Gonzaguinha por sua música tão linda, da qual emprestei um verso para usar como título deste texto, aquelas meninas vivem um verão diferente daquele de 2001. Estão de férias, aguardando tudo o que irá acontecer em 2004. Nestes três anos, os sonhos se multiplicaram, e as realizações foram se sucedendo.

Mas como falar de tantos eventos? Por onde começar? Como colocar no papel tantas ações sem correr o risco de esquecer alguma, de cometer injustiças? Na memória do Pés no Chão encontram-se tesouros inestimáveis: o 5°, o 6°e o 7° Dança e Movimento - além dos quatro primeiros que lhes precederam, quando o Projeto ainda era realizado pela prefeitura - , tantas exposições, apresentações de dança, de teatro, palestras, lançamentos de livros, oficinas diversas, cursos de arte, ciclos de cinema, reuniões com a comunidade, as apresentações do "Água, que pela vida aflora" em Ubatuba, Caraguatatuba, Bonete, Sul da Ilha, Extrama e Cotia, a criação da biblioteca, da horta orgânica, apresentação do Bolero na Pinacoteca..

Quero terminar este texto agradecendo a todos que ajudaram e que ajudam o Pés no Chão a existir. É gente daqui da Ilha, e de fora, gente do Brasil, de outros países e até de outros continentes. São comerciantes, artistas, bailarinos, atores, empresários, hoteleiros, eletricistas, arquitetos, tradutores, jornalistas, contabilistas, professores, artistas plásticos, médicos, marceneiros, fotógrafos, guardas florestais, cientistas, músicos... É uma lista enorme e sem fim. E em meu nome pessoal, quero agradecer do fundo do meu coração a todos os alunos e colegas, por tudo o que aprendi e venho aprendendo nestes mais de dois anos. A última palavra fica com a poesia. Deveria ser sempre assim. Transcrevo para vocês mais um verso do Gonzaguinha que tem muito a ver com o Pés no Chão:

Vai o bicho homem fruto da semente, memória
Renascer da própria força, própria luz e fé, memória
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós, história
Somos a semente, ato, mente e voz, magia

 

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