Sexta-feira, dia 30 de julho de 2004.

Fui para São Paulo. Cheguei lá às 4 da manhã. Não perdi a oportunidade de fotografar a lua, em cima do telhado da Manamalu. Fez um frio danado durante toda a viagem, mas a noite estava linda.

Fiz também essa foto, no apartamento que a Malu tem atrás da casa dela. Tudo é de muito bom gosto. E não existe ninguém que receba as pessoas com mais carinho que ela. Aliás, ela é uma pessoa especial demais. É um privilégio tê-la como amiga.


No dia seguinte, saí cedo para fazer exame de sangue. Poupo vocês das imagens de agulhas, vidros, etiquetas e tudo mais. Mostro a lanchonete vista do mezzanino. A foto da esquerda foi feita antes da coleta do sangue. A da direita foi feita depois da coleta, quando eu já estava lá embaixo, tomando café-da-manhã.

Depois do laboratório, e de uma prolongada visita à Rua Santa Ifigênia, conversei durante horas com minha irmã afetiva. Foi muito legal. Sentamos no chão, tomamos cerveja e comemos pão com provolone e salaminho. Tudo isso sob a supervisão atenta do Felippo e do Giuseppe.
De noite, fomos para a Avenida Paulista. Paramos o carro num estacionamento que fica no terreno que antigamente abrigava a casa do Matarazzo. Lá, fiz essa foto da lua. Mais uma foto de lua, mais uma vez sem o charme do Pedro e da Sibila...


No Promocenter, lá na Rua Augusta, conheci uma das melhores lojas de CDs e DVDs de São Paulo. Trata-se da Blue CD. Ela fica no final do lado esquerdo, no final do corredor.
Lá, consegui um DVD muito especial: Inspired on Bach, Volume 1, em que Yo-Yo-Ma toca as suites n° 1 e 2 para violoncelo desacompanhado de Bach. Vi a suite n° 1 ainda na casa da Malu. E adorei. Foi um achado, pois da última vez que estive em São Paulo, procurei esse DVD em inúmeras lojas. Eu até já tinha desistido de procurar...

Depois, fomos jantar na Cantina do Sargento. Foi muito gostoso. Comida boa, companhia da melhor qualidade. Bateu, entretanto, uma saudade enorme da Cris. E não é que sem ela o Sargento até parecia que estava vazio?


Hoje, antes de voltar para o arquipélago, cumpri minha última missão de cunho prático em São Paulo: buscar os alto-falantes das minhas caixas de som que levei para recondicionar.
Foi muito gostoso rever e conversar com a Malu. Consegui deixar muitas coisas bem mais claras em minha cabeça. Foi legal, também, saber que tudo está bem com meu sangue. Ainda vai demorar um bom tempo até que eu tenha que voltar às injeções. Senti falta de visitar a Malu com a Cris, a Gabriela, a Marília, o Pedro e a Sibila. Muita...
Voltar é bom. Um novo semestre se inicia, cheio de mudanças, cheio de coisas novas. É fundamental mudar! E por falar nisso, querem ler uma poesia? É do Eugénio de Andrade (brigado, Helena!!). É só clicar aqui. Não demora nem um segundo.
Segunda-feira, dia 26 de julho de 2004.

Fez sol. Resolvi sair de casa e olhar a vida passando. Sucumbi a um clichê duplo:
criança e veleiro. Mereço perdão?

Final de férias de julho com sol e uma temperatura que convidava a tirar a camisa.
Viver é bom, ensina-me sempre um grande amigo.

Pensar é viajar. Variação: "Meu, que viagem!"
Ei, de quem é essa frase, afinal?
É da Gabi, ou na Nana?
Sábado, dia 24 de julho de 2004.
Anjos existem. Eles são feitos de carne e osso, assim como nós. Uma certa moça que conheço tem um anjo maravilhoso. Ele mora lá na Europa, num lugar bem perto de onde Goethe nasceu e escreveu sua obra. A moça nem sabe que esse anjo existe, mas ele está lá, sempre atento e sereno. Hoje isso é possível sim, pois as distâncias diminuíram, e os bons conselhos viajam com a rapidez de um email.
A moça, que tem ela mesma o rosto de um anjo e um sorriso tímido, que quando se abre lembra um raio de sol entre as folhas orvalhadas de uma manhã, nem de longe suspeita que esse anjo exista, mas isso não importa. Para o anjo isso torna até mais fácil a sua missão. Pouco a pouco, as coisas vão se ajeitando, e eu, com o coração apertado, vejo a vida seguir seus caminhos.
Há tempos eu queria escrever isso. Faço hoje porque acabei encontrando, por acaso, uma canção linda da Holly Cole. Na verdade, eu estava procurando poesias de Eugénio de Andrade e acabei aterrizando num site que tinha esta canção de fundo. Fiquei tão tocado que resolvi pedir a um amigo de Los Angeles – olha lá o velhaco do Jung aprontando de novo!!! – que me mandasse um bom arquivo de som, e ele me atendeu, com rapidez e afeto.
Valeu mais uma vez, Bira! Ouçam. É muito bonita. E se vocês quiserem ler a letra, cliquem aqui.
Quarta, dia 21 de julho de 2004.

O Orquestra Popular encerrou o Instrumental Pés no Chão em altíssimo astral.
O Maestro Marcelo Cotarelli está fazendo um trabalho primoroso com um grupo de músicos que mescla iniciantes com instrumentistas experientes (voluntários que estão dando uma força maravilhosa para o grupo). Esse trabalho é marcado por um grande amor pela música.

Renato Anesi (um gênio do violão, viola, bandolim, violão tenor e também da guitarra) deu uma canja na última peça tocada.

O Pés no Chão esteve mais uma vez lotado. E todos ouviram com respeito e admiração o trabalho realizado pela Orquestra Popular. O Instrumental 2004 foi um sucesso. Foram quatro dias de música de qualidade.

Pausa para Reflexão...
Ontem, o Kalinesia completou um ano de atividade. Na verdade, é mais do que isso, pois ele começou alguns meses antes, no blogspot. Na sua configuração atual, como fotoblog independente, ele teve início no dia 20 de julho de 2003.
Fotoblogs nascem e morrem. Aliás, é assim com tudo o que é vivo. O mundo virtual, entretanto, tem seu tempo próprio, seus mecanismos idiossincráticos, suas vicissitudes.
No momento, esse autor passa por uma crise. Aliás, só não vê isso quem não quer, pois está tudo aqui, mostrado dia a dia, em imagens e em texto. O que vai acontecer daqui para frente só o futuro dirá, como sempre...
Sábado, dia 17 de julho de 2004.

Começou na quinta-feira o Instrumental 2004. E começou pelo melhor, a apresentação do Ivan Vilela, um músico sensível e um artista fantástico, que pesquisou a fundo inúmeras possibilidades técnicas e timbrísticas da viola caipira.

Foi uma noite especial para mim, pois tive a honra de abrir o show do Ivan. Toquei flauta solo, sem nenhum acompanhamento. E ainda tive o prazer de tocar uma peça com o próprio Ivan, de improviso, sem nenhum ensaio.
O que mais eu poderia desejar? Bem, para ser sincero, gostaria que alguns amigos tivessem chegado no horário. Algumas das referências musicais que inclui no meu improviso eram dedicadas a eles.
Talvez tenha sido melhor assim. Talvez a minha idéia de fazer uma despedida musical tenha sido uma tremenda bobagem.
Na sexta, teve uma insersão ao vivo na TV Vanguarda para divulgar o Instrumental.
De noite, o Laércio Ilhabela (de barba) tocou com o Carlos Lima e o Quarteto de Cordas de Americana.
A Cristina Geraldine é a violoncelista do Quarteto.

O Carlos Lima é uma pessoa tranqüila e serena. O quarteto é mostrado com duas iluminações diferentes, e a foto da direita mostra uma menina que não agüentou ficar acordada até o final do concerto.
Sábado, dia 10 de julho de 2004.



Andson e Belle - Nana e Nathalia - Gabriela e Bruno



Gabriela e Fernanda - Isabella e Mauro - Belle e Andson



Isabella - Nathalia e Belle - Isabella e Pedro
Sibila
Mais fotos do ensaio da coreografia do Mauro Schneider. O Mauro é uma pessoa doce, sensível e muito criativa. É impressionante o trabalho que ele realizou com o grupo. No final do dia, meninos e meninas saiam do Pés no Chão emocionados com o processo que estavam vivendo e também com o corpo todo doído dos laboratórios.

E por falar em emoção, quinta-feira fiz uma pequena sessão de cinema. Levei o DVD "Six Gestures", com Yo-Yo-Ma interpretando a Suite Número 6 para violoncelo desacompanhado de J.S. Bach. As imagens mesclam cenas do próprio Yo-Yo-Ma com uma coreografia belíssima executada por Jayne Torvill e Christopher Dean.
Uma pequena galera se acomodou como pôde no chão e se extasiou com a belíssima composição de Bach. Foi um momento mágico, sem dúvida.

A vida não é uma metáfora.
Uma rua parcamente iluminada, com caminhos se entrecortando, raramente é mais do que apenas uma rua parcamente iluminada com caminhos se entrecortando. Às vezes, no entanto...
Bonus Picture

Terça-feira, dia 6 de julho de 2004.

Mauro Scheinder, da Cia Repentistas do Corpo, está montando uma coreografia com a trupe do Pés no Chão. Uma das coisas que mais gosto de ver é o nascimento de uma coreografia. Para a nossa sorte, o Mauro deixou que eu fotografasse à vontade. Valeu, Mauro.










Pronto, deu um pouco de trabalho, mas está aí. Espero que vocês gostem.
Segunda-feira, dia 5 de julho de 2004.

Mais uma vez, debruçamos-nos a estudar o mapa do gerenciamento costeiro, a confabular sobre os destinos de nosso arquipélago.

Anselmo tem poucas esperanças na eficácia do gerenciamento costeiro a partir da pintura definitiva do mapa. Segundo ele, o zoneamento proposto irá permitir um parcelamento do solo por demais permissivo.

Nem tudo está perdido. A implementação do plano deverá ser acompanhada mais de perto por todos nós. E a próxima luta já tem nome: Aprovação do Plano Diretor.
Sexta-feira, dia 2 de julho de 2004.

Uma inquietante lua pairava pálida sobre o céu no início da noite. No momento em que escrevo, duas e meia da manhã, ela continua a brilhar e a projetar no chão sombras de tudo o que atravessa o caminho de sua luz.

Pedro e Sibila estiveram presentes neste momento mágico.
E por falar em magia, uma amiga muito querida me deu um presente:
Eugénio de Andrade, um poeta português.
É dele o texto abaixo:
AS CRIANÇAS
Elas crescem em segredo, as crianças.
Escondem-se no mais oculto da casa
para serem gato bravio, bétula branca.
Chega um dia em que estás descuidado
a olhar o rebanho que regressa com a poeira da tarde,
e uma delas, a mais bonita, aproxima-se em bicos de pés,
diz-te ao ouvido que te ama, que te espera sobre o feno.
A tremer, vais buscar a caçadeira,
e passas o resto da tarde a disparar sobre as gralhas,
inumeráveis, àquela hora.
Amiga, como gostaria que cruzasses o oceano e viesses transpor comigo a Ponta do Juatinga. Ou então, ouvir a Viola do Braz em São Francisco Xavier. Fica perto de Minas, lembra-me Maria Eugênia. Com certeza encontraremos poesia por lá.

Aceitas um café?
Quinta-feira, dia 1 de julho de 2004.

As Congadas agora contam com uma inovação tecnológica marcante: microfones sem fio. Os mais conservadores desaprovaram essa deturpação. Pela primeira vez, foi possível ouvir parcialmente o que eles dizem. As Congadas, entretanto, não foram feitas para serem entendidas. E mesmo ouvido a voz dos reis e embaixadores, pouca gente consegue compreender a lógica (??) da celebração. Sincretismo não se explica, vive-se.

Essa foto é fruto de um erro primário de ajuste da máquina. Não conto a bobagem que fiz. Quero ver se alguém advinha onde foi que errei. Vale um bis de chocolate branco pra quem acertar.

Yoga na água. Alguém se habilita? Em cartaz todos os sábados às 7 da manhã na Cocaia. Brrrr....

Esta é Virginia pouco antes de ter o bebê. O interessante é que a foto foi feita no mesmo dia em que a Globo fez as filmagens no Pés no Chão. Detalhes técnicos: uma contra-luz bem forte e a lente fechada na Virginia. Se eu tivesse aberto um pouquinho só o campo, a foto ficaria escura e mostraria apenas o holofote do lado direito.
Esse pessoal da Globo é cheio de truques. E uma coisa a gente tem que reconhecer: eles sabem iluminar imagnes digitais como ninguém.
Um dia eu ainda conto a história do diretor de cinema europeu que foi filmar nos EUA.
Em tempo: clique aqui para ver a edição do mês de junho.
clique aqui para abrir uma versão bi-língüe
Make it go away or make it better
Isn’t that what love’s supposed to do
Make it go away or make it better
Cause I would do either one for you
This is not the way you should see me
This is not the face I recognize
Could I lay my head down here for a moment
Would you sing to me like I’m your child
Cause I’m not angry I’m not crying
I’m just in over my head
You could be the angel that stayed on my shoulder
When all of the other angels left
Make it go away, cause I am weak
And this's more then one should have to take
If you do this for me, then I will promise
I’ll make it go away for you someday
There are reasons silver linings
There are lessons but I don’t care
Cause I just need a hand that I can hold onto
When it’s darker then death out there
I’m so cold
And so far away from my home
But tonight you’re
You’re where I belong
You’re everything right
When I’m everything wrong
Make it go away or make it better
Isn’t that what love’s supposed to do
Make it go away or make it better
Cause I would do either one for you
Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade