Fotos e textos de setembro de 2003.
Domingo. 21 de setembro de 2003

Ontem, o Allegro Pizza mais uma vez abriu suas portas. Não
sei se já contei, mas alguns alunos do Pés no Chão estão
tocando uma pizzaria aos sábados. Por volta das 9 horas, eles apresentaram
uma das coreografias do "Água que pela vida aflora". Não
resisti à tentação de fazer uma foto. A precariedade
da iluminação era tanta, que tive que usar o flash.
Belle é aluna de ballet. Nesta foto, ela dança com o Pedro,
irmão da Sibila. Pedro faz teatro, dança e acrobacia. Belle
faz ballet e sapateado.
E por falar nisso, vocês já estão se preparando para
o 7°
Dança e Movimento? Pois deviam...

Esta foto foi feita em São Paulo, no dia 12. Parei na Rua da Cantareira,
perto do Liceu de Artes e Ofícios, para comprar embalagens para pizza.
Gostei dos sobradinhos. Pena que tinha esse poste feio na frente.

A Leopoldina ganhou uma filhote. Com tanto leite à sua disposição,
ela está ficando cada vez mais forte.

Primeiro contato com a grama.

E por falar em grama, encontrei essa flor junto ao muro. Não sei
como se chama.
Quinta-feira, 11 de setembro de 2003

Esta data foi marcada por 2 comemorações. Trinta
anos atrás, um golpe militar sangrento depôs Salvador Allende,
presidente do Chile. Há dois anos, as Torres Gêmeas de Nova York
ruíram. Foram vítimas do terrorismo fundamentalista. Numa outra
quinta-feira recente, dia 29 de maio, foram lembrados os 50 anos
da Conquista
do Evereste, por Edmund Hillary e Tenzing Norgay.

Resolvi celebrar as três datas de uma maneira não muito comum.
Peguei o meu buggy e fui para São Paulo assistir um concerto. No programa,
obras de Luciano Berio, Tchaikovsky e Mussorvisky-Ravel. Ao meu modo, vivi
uma aventura.
Uma noite fria e úmida testemunhou uma figura estranha a bordo de
um veículo precário, de janelas escancaradas e desprovido de
limpador de pára-brisa,
se arriscar em desabalada carreira rumo à Sala São Paulo.
Passei um frio enorme. Tive a sensação de estar revivendo
a conquista do Evereste. Cheguei à bilheteria 5 minutos antes do início
do concerto. Por sorte, consegui comprar a última entrada. Com as mãos
congeladas pelo vento, peguei
o dinheiro e paguei o ingresso. Sentado na platéia, senti os dedos
formigarem
com o choque térmico.
Podia ter sido bem pior. Recebi uma ajuda maravilhosa antes de zarpar.
Marie Asmar
me emprestou seu cachecol. Sem ele, eu não teria suportado o frio.
Valeu, Marie! Que bom ter conhecido você naquela tarde.
Quarta, 2 de setembro de 2003

Fui no Nova York Zanzi Bar ver o pôr do sol. Em frente,
do outro lado da rua, a luz coloria de dourado um muro de pedras. O bar, diga-se
de passagem, é bom e serve bebidas gostosas, tem uma paisagem deslumbrante
e... borrachudos!
Uma imitação da Estátua da Liberdade orna (?) o jardim
de entrada.

O sol ainda estave bem alto. Não esperei até
ele se escondesse por completo.
São poucos os lugares no Brasil em que se pode ver o sol se pondo no
mar. Confuso? Nem tanto... O terraço do Nova York Zanzi bar é
um deles.

A Ilha Montão de Trigo vista de um ponto bem mais ao
norte, em foto feita poucos minutos depois da anterior.
Segunda, 1 de setembro de 2003

Ontem, choveu e fez frio. A gata resolveu ocupar a minha cadeira.

O jardim ficou molhado.

Água, luz, reflexos... Festa para os olhos.
O caminho do escritório.

Um pouco do quintal.
Sexta-feira, dia 29 de agosto.

Esta foto não é minha, é do meu irmão.
Recebi há uns 2 meses. Foi feita na última vez em que ele veio
nos visitar. Ele deu o título de "Entardecer na Ilha". Na
verdade, ela foi feita no continente, em seu caminho de volta para Foz do
Iguaçu, onde mora. Suas visitas sempre deixavam muitas saudades e uma
sensação de que as coisas não tinham saído exatamente
como o planejado.
Poucas horas antes de fazer esta foto, ele tinha visto nossa
mãe pela última vez na vida. Alguns meses depois, ela morreu.
Há um quê de despedida em cada
pôr-de-sol. Este não foge à regra.
Um dia, partirei da Ilha numa viagem sem volta. Morar em São
Paulo...
Será que também vou parar para fazer uma foto do entardecer?
É melhor não parar. A foto já foi feita,
está aqui em cima.
Sábado, 30 de agosto de 2003

A Conferência Regional das Cidades em Caraguatatuba foi
cansativa.
Ficamos lá das 8 da manhã até às 9 da noite. Erros
na organização resultaram
em controvérsias na votação dos delegados que irão
representar os municípios na Conferência Estadual.
Nosso arquipélago havia levado propostas interessantes
para a Conferência Regional. Elas podem ser lidas aqui.
A foto abaixo mostra o povo discutindo suas cidades. Este senhor,
por exemplo, mora no Travessão. É um bairro de São Sebastião
que serve de cidade-dormitório para quem trabalha em Caraguatatuba.
Viagem de ida e de volta, de ônibus, todo dia... Falta segurança
no Travessão. Sobra droga. Ruas mal urbanizadas. Ainda assim, é
melhor que em muitos lugares de outros estados. A migração continuam
suplantando em muitas vezes o crescimento vegetativo.
Um morador de São Sebastião voltou à sua
cidade natal e publicou um artigo no jornal local: "Ex-morador vive hoje
num paraíso". Ele é candidato a candidato a vereador. Incrível,
mas essas coisas ainda acontecem. Os excluídos são naturalmente
empurrados para as zonas de risco, as vertentes, os mananciais. Isso não
é só aqui. Veja quem mora, por exemplo, junto às represas
que abastecem São Paulo.
Quem realmente foi preparado para esta Conferência foi
a Sabesp. Nas discussões sobre Saneamento Ambiental, em um grupo de
28 pessoas, havia cerca de 10 representantes da entidade. Todas as propostas
que sugeriam discutir a qualidade e aperfeiçoamento dos serviços
prestados por aquela Estatal foram barradas na origem.

Na reunião plenária, por pouquíssimos
votos, uma proposta de alteração nos contratos de monopólio
da Sabesp foi mais uma vez derrotada pelo corporativismo. Dois ou três
votos a mais teriam aberto um caminho para um questionamento regional sobre
essa situação. Se pelo penos 2 vereadores do arquipélago
tivessem comparecido à discussão plenária...
A foto acima mostra dois sabespianos bastante combativos. Incansavelmente,
defenderam os interesses da empresa para qual trabalham. Em tempos de revisão
de aposentadorias do setor público, desmonte de privilégios
e busca de um estado mais adequado aos interesses sociais, todo cuidado é
pouco.
Para a Sabesp, lançar esgoto in natura no canal é
perfeitamente aceitável. Ela tem um contrato de 1973 que lhe dá
o direito de decidir a política sanitária que lhes convém.
E ela tem um paradoxo como forte aliado. Quem mais se preocupa com a poluição
das praias é quem depende de sua balneabilidade, os empresários
do turismo. E para estes, exercer uma forte pressão popular, com denúncias
em jornal, rádio e TV tem como efeito colateral espantar o turista.
Alguém aqui leu Catch 22?
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